Marrocos (2026): introdução
- Fabio Braga

- há 4 dias
- 4 min de leitura
Passei alguns dias de férias com a minha família em Marrocos, na primavera de 2026. Minha filha já havia visitado o país anteriormente durante um semestre da faculdade que cursou na França.
Dentre outros locais que ela conheceu no período, este era um destino para onde não queríamos que ela viajasse, por preconceito e receio quanto à segurança, especialmente para mulheres. Obviamente, como os filhos nem sempre seguem os conselhos dos pais, nossa opinião foi solenemente ignorada e ela não só visitou o país como adorou a experiência e insistiu para que fôssemos juntos em outra oportunidade.
Felizmente, embarcamos na ideia e compramos a passagem aérea com a Royal Air Maroc, que até o momento da publicação deste post, opera voos diretos entre Guarulhos/SP e Casablanca. Escolhemos maio, na primavera do hemisfério norte, por conta das temperaturas amenas e pouca incidência de chuva.

a caminho do Deserto do Saara
Contratamos, para a parte terrestre, uma empresa de turismo especializada, com transporte, guia e algumas refeições incluídas no pacote. Aqui vai a primeira dica de viagem para Marrocos: não recomendo alugar carro e viajar por conta própria, a não ser que você seja fluente em árabe ou francês.
Digo isso porque ao longo da viagem fomos parados por volta de cinco ou seis vezes por policiais rodoviários, carinhosamente chamados de “cobras” pelo nosso guia, para checagem de documentos e uso de cinto de segurança na van. Não tivemos problemas, mas um turista teria dificuldade ao dar explicações a um policial se não falasse uma das línguas oficiais do país. Além disso, existe uma quantidade absurda de radares fixos e móveis, com cobrança imediata das multas pelas “cobras”.
Como fizemos em outras viagens, economizamos Euros na Wise para cobrir as despesas de viagem. Uma dica interessante deste cartão é converter diretamente Reais para uma reserva remunerada que, por ser um investimento, reduz o IOF pago na conversão.

dunas de Erg Chebbi, Deserto do Saara, próximo a Merzouga
Marrocos não é um país caro, porém restaurantes mais turísticos podem cobrar por pessoa valores similares aos praticados em São Paulo. Viajando com excursão, acabamos comendo várias vezes em locais indicados pelo guia, em geral com preços mais altos, porém nunca exorbitantes.
É bom lembrar que Marrocos é um país muito peculiar em relação aos meios de pagamento: cartões de débito e crédito não são amplamente aceitos e muitos lugares, para não dizer a grande maioria, aceitam apenas papel moeda. De qualquer forma, não é difícil sacar dinheiro, pois existem ATMs (caixas eletrônicos) espalhados pelas ruas das cidades, em shoppings e hotéis. Todos os locais onde realizamos saques eram seguros, com filas de turistas e moradores locais fazendo retiradas, o que pode ser estranho para nós, brasileiros, infelizmente acostumados com a insegurança crônica das nossas cidades.
No aeroporto de Casablanca existem casas de câmbio na área de recuperação de bagagens, além de ATMs no desembarque e no terminal ferroviário que conecta o aeródromo à estação Casa Voyageurs, com conexões para o restante do país por trem. Aproveite para trocar ou sacar dinheiro em espécie ainda no aeroporto, evitando problemas com pagamentos.
Ainda na área de restituição de bagagem do aeroporto, deve-se tomar uma outra providência importante: comprar um chip de celular ou e-sim, dependendo da capacidade do seu aparelho. Fomos orientados a escolher a Maroc Telecom, que tem a cobertura mais ampla e funciona melhor em locais remotos do país. O procedimento é rápido e deve ser pago em dinheiro (aceitam Euros). Não economize na quantidade de dados, é fundamental ter cobertura de celular durante todo período da viagem.
Quanto às passagens de trem, tivemos que comprar todas nos guichês das estações, que aceitam dinheiro e cartões de débito e crédito. Não foi possível comprar as passagens com antecedência pelo site ou app da empresa ONCF, responsável pela gestão dos trens no país, mesmo via VPN. A transação no cartão de débito e crédito falhou em todas as vezes que tentei pagar pelas passagens.

Falando um pouco sobre fotografia, viajei com um kit mais ou menos leve:
- câmera Canon EOS R
- lente RF 35 f/1.8, para compor um kit discreto quando necessário e para fotos noturnas
- lente RF 24-105 f/4L, para o dia a dia (quase não saiu da câmera)
- lente EF 70-300 f/4L, com conversor RF (pouco utilizada durante a viagem)
Não levei tripé nem filtros para fotos de paisagem, pois sabia que não teria tempo para montar os setups, já que estaria viajando em grupo e com a família.
Este tipo de viagem cobra um preço dos entusiastas da fotografia: movimentação constante, pouco tempo nas paradas e guias que se movem rapidamente em meio à multidão nos souks, os mercados marroquinos a céu aberto. De qualquer forma, por se tratar de um país muito diferente do que estamos acostumados, ainda acredito que seja a melhor opção para viajar a Marrocos.
Um outro inconveniente para os fotógrafos é que, em geral, a população local, especialmente os mais velhos, não gosta de ser fotografada. Meu estilo não é intrusivo, jamais faço imagens de pessoas em situações degradantes ou vexatórias e, via de regra, fotografo a uma boa distância da pessoa mais próxima. Mesmo assim, por duas vezes, moradores ficaram irritados ao perceberem que seriam fotografados. Escrevi um post para falar especificamente sobre este assunto.
Além da hostilidade em relação a fotografia, uma outra dificuldade se impõe nos locais mais interessantes de Marrocos em suas medinas ou “cidades velhas”, especialmente em meio aos souks: multidões de moradores e turistas caminham de forma caótica, dividindo ruas estreitas, com não mais que cinco ou seis metros de largura, com scooters, carroças, vendedores de frutas e bicicletas.
souks de Marrakech e Essaouira
Isolar pessoas ou assuntos neste meio é um desafio constante. Por várias vezes, apelei para o foco manual, controlando a distância e contornando a dificuldade de focar rapidamente no assunto desejado. Além disso, aumentando a velocidade do obturador e travando o foco, eu conseguia fotografar em modo hip-shoot, segurando a câmera de forma discreta na altura do peito ou barriga. Obviamente, muitas fotos foram perdidas neste processo.
Nos próximos posts, deixarei algumas imagens e minhas impressões sobre as diversas cidades que visitamos.









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