Marrocos (2026): Marrakech

Fundada por volta de 1070 d.C., Marrakech é a quarta maior cidade de Marrocos e também conhecida como a "cidade vermelha" ou "cidade ocre", por conta da cor da muralha da cidade e de outras edificações.
Partimos de Tânger em uma segunda-feira, mas desta vez via trem convencional, sem o conforto do trem rápido Al Boraq. Além disso, como não conseguimos bilhetes de primeira classe, viajamos em um vagão mais apertado, mas com lugares marcados. Ao chegar nos nossos assentos, precisamos pedir para que dois senhores, que carregavam sacos de estopa enormes com mercadorias, deixassem nossos lugares, no que fomos prontamente atendidos. Se você faz questão de conforto, recomendo contratar um transfer ou, se viajar após conclusão da extensão do Al Boraq até Marrakech, seguir de trem rápido.

lago dos Jardins da Menara
cenas do souk e uma das entradas da medina de Marrakech
Nos hospedamos no hotel El-Andalous, localizado a dez minutos de carro da principal praça de Marrakech, Jemaa el-Fna, que foi nosso primeiro destino na cidade. A origem do nome da praça é controversa: em árabe, pode significar "espaço aberto, pátio" ou "assembleia dos mortos", dado que no local realizavam-se execuções públicas.

entorno da praça Jemaa el-Fna
Depois de conhecer o local, passei a usar o termo "caos organizado" para definir como as coisas funcionam por ali. Como comentei na introdução, as ruas de Marrakech são apertadas e lotadas de locais e turistas durante o dia, que ainda convivem com animais de tração puxando carroças, scooters e bicicletas. De alguma forma, tudo isso funciona dentro de uma relativa e inexplicável harmonia, pois a impressão de quem vê estas cenas pela primeira vez é de que um acidente vai ocorrer a qualquer momento.
Ao lado da praça, várias vielas dão acesso aos souks da medina. São mais de 3000 lojas e quiosques de roupas, artigos de couro, artesanato, comida e cosméticos, dentre outros itens. A ideia aqui é adentrar as vielas e, caso se interessar por algo, negociar o valor em todas as compras pois a pechincha é uma cultura local e não é vista como ofensa. Em todas as oportunidades, foi possível fechar as compras por um valor menor que o pedido inicialmente.
O mesmo vale para as corridas de táxi, que raramente são pagas pelo valor do taxímetro, que nem é ligado: o acerto do preço até o destino é feito antes de entrar no carro e, ao menos no nosso caso, foi cumprido à risca por todos os motoristas.
cenas do souk e praça Jemaa el-Fna
Além da medina, outros pontos de Marrakech valem a visita: recomendo especialmente o Jardim Majorelle.
O jardim foi construído pelo pintor francês Jacques Majorelle, que em 1923 adquiriu um terreno na orla de um palmeiral e começou a desenvolver o espaço que se tornaria seu projeto de vida, ao longo de quase quarenta anos. Por conta dos custos de manutenção e após o seu divórcio nos anos 1950, o local ficou abandonado. Foi redescoberto e restaurado pelos estilistas Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé, que o mantiveram até 2008. Saint-Laurent, que morreu naquele mesmo ano, teve suas cinzas espalhadas no jardim. Hoje, este magnífico jardim botânico é gerenciado por uma ONG e está aberto à visitação pública. Os ingressos esgotam rápido, é importante reservar com antecedência.
Jardim Majorelle
Outro local imperdível em Marrakech é o Palácio Bahia, construído no século XIX. É composto de 150 quartos, dispostos de forma irregular ao redor de pátios internos ricamente decorados. A ornamentação é incrível, com trabalhos lindíssimos em pedra, madeira e azulejos. Os ingressos podem ser adquiridos na hora da visita, no acesso ao Palácio.
detalhes de teto e lareira do Palácio Bahia
Sem sombra de dúvida, Marrakech foi um dos meus destinos favoritos no país. Seja para turismo ou fotografia de rua, é uma cidade que precisa de ao menos três dias para que se possa ao menos arranhar a sua caótica superfície.



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